Eu recebo diariamente uma infinidade de PPS, aqueles arquivos com fotos, musicas, poesias, confesso que teve uma epoca, (ha’ muito tempo atras) eu os abria todos. Mas hoje em dia nao tenho mais paciencia, a nao ser se o titulo me chame a atençao.
Quando o abri, foi uma especie de “devoltaaopassado“
O texto segundo o PPS e’ de autoria de Danuza Leao, o que nao posso confirmar, mas e’ super interessante, e pergunto a meus amigos e amigas na faixa dos 50, quem nao viveu alguns daqueles monentos ali relatados que atire a primeira pedra.
Eu vivi, vivi muitas daquelas situaçoes e confesso, foi bom demais ter vivido esse tempo.
E’ LINDO….
Houve um tempo em que se namorava muito e se pensava que se sofria muito – por amor, claro. As paixoes se acendiam, embaladas pelas músicas do momento, que faziam parte integrante de nossas vidas.
Quando, numa reuniao - havia muitas reuniões nessa epoca - , os olhares se cruzavam, enquanto se ouvia “se voce quer ser minha namorada, ai que linda namorada voce poderia ser”, o coraçao se derretia e era hora de ir ao banheiro com uma amiga, so’ para contar.
Uma bebidinha daqui, muitos sorrisinhos dali, e, na decima vez que o disco tocava e chegava no trecho “mas se em vez de minha namorada voce quer ser minha amada, mais amada pra valer”, e ele olhava de longe, desta vez serio, o coraçao só faltava sair pela boca.
Muitos anos e muitos amores depois, foi a vez de Roberto Carlos participar de todos os romances: “Voce foi o maior dos meus casos, de todos os abraços, o que eu nunca esqueci” – ah, uma boa dor-de-cotovelo ouvindo Roberto.
Quem nunca passou por isso não sabe o que e’ viver …
Num inicio de caso – em altíssima voltagem! – entrava Chico com “quero ficar no teu corpo como tatuagem” – e quem não queria?
E, no fim do caso, dava para agüentar “as marcas de amor dos nossos lençois”?
Se ouvia muita musica e, a noite, se ia sempre ao mesmo bar, onde um pianista tocava o que se tinha ouvido a tarde inteira; como todos se conheciam e sabiam das vidas uns dos outros, o pianista – Vinhas, quase sempre - atacava a “nossa” música … aquela!
A noite prosseguia com os olhos grudados na porta, para ver se ele entrava.
Se entrasse sozinho, era hora de ir ao toalete, nao para retocar a maquiagem, mas para respirar fundo e jurar, mas jurar de pes juntos que nao ia nem olhar para o lado dele. A madrugada se encarregava de mudar os planos.
Depois, veio “Deixa em paz meu coraçao, que ele e’ um pote ate’ aqui de magoa”. As musicas diziam tudo o que nao se tinha coragem de dizer, e era como se falassem por nos. Que mulher nao cantou baixinho, depois que ele foi embora, “quando voce me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem”,e nao fantasiou que quando ele ouvisse “e tantas aguas rolaram, tantos homens me amaram, bem mais e melhor que você” ia imediatamente pensar nela, quem sabe sofreria, quem sabe teria uma crise de ciumes e pegaria o telefone de madrugada? Quem sabe … quem sabe?
E quando ela se “enrolou” toda com a chegada de um namorado que nao esperava e ficou repetindo o disco, no trecho que dizia “se na bagunça do teu coraçao”, para ver se ele entendia que o coraçao, as vezes, vira mesmo uma verdadeira bagunça, como o dela, naquele momento ?
Ah, Chico, ah, Roberto; voces algum dia souberam que tinham sido tao importantes na nossa vida? Pois fiquem sabendo: foram.
Nesse tempo as moças nao levavam os namorados para dormir em casa, ou porque tinham pais ou porque tinham filhos; para isso havia os moteis.
E do primeiro a gente nunca esquece … A cama redonda com cabeceira de curvin, a piscina – uma banheira de 2 x 2 – o som embutido na cabeceira e, sobretudo, o clima, um clima de pecado que as moças da zona sul adoravam.
Quando Roberto cantava “Amanha de manha vou pedir um cafe’ pra nos dois, te fazer um carinho e depois te envolver nos meus braços” e ele deixava “o cafe’ esfriando na mesa, esquecemos de tudo” e vinha o “pensando bem, amanha eu nao vou trabalhar, e alem do mais, temos tantas razoes pra ficar”, nao era preciso dizer nada: era a hora do telefonema para a empregada as 6 da manha para que ela desmanchasse a cama e dissesse que voce saiu cedo para buscar uma amiga no aeroporto, lembra? Grandes tempos.
Hoje a gente olha para tras e pensa: mas essas paixoes existiram mesmo?
Sem Chico e sem Roberto teriam havido tantas, tao intensas e tao arrebatadoras?
Delas a gente ate’ esqueceu, mas nao do que se sentia ao ouvir “mas eu estou aqui vivendo este momento lindo”.
E da’ para viver momentos lindos hoje, ouvindo os Racionais MC?
Pensando bem, o grande combustivel de nossos coraçoes foram as cançoes de Chico e Roberto.
E, olhando para tras, e’ bem possivel que a certeza de que “se chorei ou se sofri, o importante e’ que emoçoes eu vivi” nao existiria sem a musica de Roberto. Foi bom demais ter vivido esse tempo.
Danuza..